22.4.08

No Problem

No Problem

Foto tirada em estrada na Índia.

1.12.07

Badulaques


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5.11.07

Badulaques

10.10.07

Vitrine

We´re so beautiful

- Bom dia, em que posso ajudar?
- Gostaria de experimentar aquele par de pernas da vitrine.
- Pois não, aqui está... o provador fica logo alí.
- Obrigada.
- Então, o que achou?
- Ficaram um pouco grandes demais... tem outro número?
- Infelizmente o padrão é esse. Coloque junto com este quadril para ver se não melhora.
- Sim, agora parece que ficaram perfeitas. E seios, quais modelos você tem?
- Temos o par pequeno, médio, grande e extra. Qual tamanho você prefere?
- Queria o que combinasse mais com aquele abdome exposto na prateleira.
- O extra fica ótimo, está na moda. A atriz da novela usou uma vez numa festa, foi um arraso! Saiu até na capa da revista!
- Não sei, e se o abdome parecer desproporcional?
- Você pode trocar pelo o de grávida. Fica ótimo para usar durante a estação.
- Está bem, vou levar o abdome de grávida, o par de seios extra grandes, as pernas e o quadril. Tem desconto no pagamento à vista?
- Não, querida. Aqui tudo é parcelado.

15.9.07

Saúde de ferro também enferruja

(Foto tirada na rodovia Anhangüera)

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10.8.07

Tráfego Aéreo

(Foto tirada na Vila Madalena - SP)

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28.7.07

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5.7.07

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22.6.07

Marta Suplicy e o Complexo Maria Antonieta (ou sexologia do voar)

A fala bizarra da atual ministra do turismo causou estardalhaço na mídia ao responder aos jornalistas qual seria a atitude do viajante em tempos de caos aéreo: “relaxa e goza”, respondeu Marta Suplicy. Momentos depois tentou arrumar o estrago da frase infeliz, dizendo que se referia ao fato de que o transtorno será recompensador ao se viajar pelo país. Essa atitude lembra a resposta que a então rainha Maria Antonieta, assídua freqüentadora das festas no Palácio de Versalhes, deu aos seus súditos quando alarmavam para o fato de que o povo francês estava na total miséria, sem pão para comer. “Que comam brioches!”, respondeu a rainha, retratada recentemente no filme de Sofia Coppola. Mais tarde, o rei Luís XVI juntamente com Maria Antonieta fugiram da corte em pleno alvoroço dos acontecimentos da Revolução Francesa, sendo depois capturados e guilhotinados.
Difícil relaxar e gozar quando nosso direito de ir e vir está tolhido em meio ao embate entre o governo, as companhias aéreas e os controladores de vôo. As soluções se distanciam e o gozo é interrompido na fila do check-in. Também é pouco provável relaxar nas cadeiras do saguão do embarque e muito menos no chão dos aeroportos. O desejo de voar é reprimido e a tentativa de sublimar as pulsões frustradas nos cafés, livrarias e lojas de souvenires fracassa quando a paciência se esgota. Nesse caso, o retorno do recalcado é expresso pelas atitudes violentas dos passageiros que encontram nos pobres funcionários a representação do agente castrador.
Já fiquei duas horas a mais do horário previsto de decolagem de um vôo de Confins a São Paulo, o que considero que até tive um pouco de sorte, comparado com outros passageiros que passaram por experiências traumáticas de 10 horas de atraso ou mais. Mas o pior é que essas duas horas de espera não foram informadas logo no início do suplício (com trocadilhos). Pelo contrário, o sadismo vinha sempre que a atendente avisava que a satisfação de meu desejo em embarcar no avião iria demorar meia hora... e passada a meia hora, mais 40 minutos... e por aí vai.
Outro ministro, Guido Mantega, afirmou que esse caos se deve à prosperidade econômica do país, já que com mais grana, o povo viaja mais. Creio que esse delírio esquizotípico mencionado pelo ilustre ministro em breve caia por terra como uma aeronave sem piloto. Afinal, a economia idealizada por ele sofrerá uma ferida narcísica ao deparar com a realidade cruel que impede a circulação dos bens e valores contidos nos bolsos e na boa vontade dos passageiros.
Felizmente os tempos da guilhotina francesa acabaram. Mas bem que o antigo ostracismo grego poderia ser revisto, quando as explicações e soluções dadas pelos governantes à crise aérea humilharem cada vez mais os governados.

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15.6.07

O Menor e o Maior

Pedras
Um universo se equilibra na ponta da agulha.
O menor atravessa as frestas de uma muralha e o maior envolve tudo ao seu redor.
O menor é o que o microscópio não consegue analisar, o maior é o que a angular não consegue sintetizar.
O menor é o que se perde nos detalhes, o maior o que se esconde na obviedade.
O menor escapa entre os dedos, o maior não é comportado pelos braços abertos.
O menor é a rápida faísca, o maior é o duradouro incêndio resultante.
Menor é o esforço de demolir uma ponte, maior é o esforço de reconstruí-la.
O menor preenche, o maior ajunta.
O menor fixa os olhos num ponto diminuto, o maior os solta numa imensidão sem limite.
O menor germina o maior, o maior semeia o menor.
O menor é o que não mais se divide, o maior é o que não mais se multiplica.
O menor é o suspiro de uma nota, o maior é o sopro da música.
O menor é o disparo, o maior é a explosão.
O menor convence, o maior impõe.
O menor ruído atrai o ouvido, o maior barulho afugenta.
Menor é o copo de água para o sedento, maior é o copo de água para o encharcado.
Menor é o rabisco no papel em branco, maior é a figura que sorri entre o traçado e o vazio.
Menor o tempo de alcançar a hora marcada, maior o tempo de espera.
Menor é o sinal, maior é seu desdobramento.
O menor gesto recorda a maior lembrança.
A menor superfície atravessa a maior profundidade.
O menor passo caminha em direção à maior distância.
O menor nasce, o maior cria.
O menor é o ladrilho, o maior é o mosaico tatuado na calçada.
Para se chegar ao menor, também são necessários os maiores esforços.

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29.4.07

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21.4.07

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13.4.07

300 e o Paradigma da Liberdade




O filme 300, dirigido por Zack Snyder e atualmente em cartaz nas salas de cinema, é uma adaptação da história em quadrinhos 300 de Esparta, de Frank Miller (cores de Lynn Varley e publicado no Brasil pela Devir Livraria). A aventura espartana na Batalha de Termópilas, uma das mais importantes campanhas da guerra dos gregos contra os persas, é glorificada na narrativa que enfatiza a coragem e luta do rei Leônidas e seus 300 espartanos diante dos milhares de persas liderados por Xerxes. Por sua vez, Miller inspirou-se no clássico História, de Heródoto de Halicarnasso, escrito em torno de 446 a.C.
Heródoto é considerado o Pai da História por relatar acontecimentos que marcaram o mundo antigo, mas historiadores modernos pouco dão crédito aos métodos e fontes que Heródoto utilizou para seus registros, contaminados por invencionices e pouca imparcialidade. Situa a genealogia do rei Leônidas como descendente de Hércules. A vantagem numérica dos persas era evidente, mas se considera que Heródoto tenha exagerado a desigualdade para realçar o feito grego. Mas de modo algum desqualifica-o como observador apaixonado pela sua cultura e que por conta disso oferece a visão grega da guerra.
Tanto o filme de Snyder como a graphic novel de Frank Miller reforçam o eco de glória que Heródoto entoou a Leônidas pelo seu destemor, além de acrescentarem a tática militar superior da infantaria espartana. Sabe-se que em Esparta o rígido treinamento militar começava desde os 7 anos de idade para cada filho de espartano livre. O ideal de liberdade, compartilhado somente pelos cidadãos-guerreiros de Esparta, estava ameaçado pelo avanço persa, que ampliava seu território e já invadia o solo grego desde quando Dario, pai de Xerxes, travou guerra contra os atenienses na Batalha de Maratona. Os povos asiáticos vencidos eram subjugados e incorporados às fileiras do exército persa. Diante do risco de extinção das instituições gregas e da autonomia das cidades-Estado, não é à toa que a liberdade foi o valor que uniu toda a Grécia com o objetivo de preservá-lo; ainda que a liberdade só fosse privilégio dos cidadãos livres (ausente portanto entre os escravos, mulheres e estrangeiros).
Boa parte de crítica de cinema alinhou a mensagem do filme com o discurso bélico norte-americano, calcado pelo paradigma da liberdade. De tanto que os Estados Unidos justificaram a ação no Oriente Médio pela freedom, já que o argumento do perigo de armas de destruição em massa dissipou-se paulatinamente, não é de soar estranho que qualquer produção cultural ianque que exalte a liberdade pareça propaganda dos falcões republicanos. A rejeição ao filme feita pelo presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, salientou essa lógica de combate ideológico, uma vez que os iranianos são descendentes dos persas, os vilões de 300. Porém, o filme nada mais fez que repetir a glorificação dos gregos já realizada por Heródoto, Ésquilo e outros helenos ilustres, os vencedores da guerra e da sua versão contada ao Ocidente. O ideal de liberdade continua exatamente onde se encontra: entre os que a possuem, na luta para preservá-la; entre os despossuídos, na meta de conquistá-la. Mas será que a liberdade de uns presume a escravização dos outros? Como diz John Warry em Warfare in the Classical World, a liberdade muitas vezes era a liberdade de um povo impor sua vontade a outros povos. Após a vitória final dos gregos nas batalhas de Platéia e Salamina, as cidades-Estado acirraram os conflitos entre si pela hegemonia, culminando na Guerra do Peloponeso, que acabou por enfraquecer internamente as cidades da Grécia e favorecer a invasão dos macedônios comandados por Alexandre, o Grande.
A ilustração da luta pela liberdade de Esparta e a glória de morrer por ela não saiu da Casa Branca. Heródoto comenta nas palavras de Demáratos, exilado grego e conselheiro de Xerxes, que respondeu ao rei persa qual seria a resistência grega antes de iniciar a guerra: "a Hélade [Grécia] sempre conviveu com a pobreza; mas a isso se ajunta a coragem, fruto da sabedoria e de leis firmes, e graças a essa coragem a Hélade se defende da pobreza e do despotismo. Louvo todos os helenos habitantes daqueles territórios dórios, e minhas palavras seguintes não se aplicam a todos eles, mas unicamente aos lacedemônios [espartanos]: primeiro digo-te que não é possível esperar a aceitação por eles de propostas tuas tendentes a levar a escravidão à Hélade; em seguida, que eles te enfrentarão em combate, mesmo na hipótese de todos os outros helenos [gregos] se decidirem a ficar do teu lado. Em relação ao seu número, não me perguntes quantos são eles para atrever-se a agir assim; mesmo que sejam apenas mil para enfrentar-te, ou sejam menos do que isso, ou sejam mais, eles lutarão contra ti". A propaganda bélica pode muito bem utilizar desses valores; mas também o ideal de liberdade ilustrado no filme não poderia ser utilizado justamente pelos iranianos, no caso de uma intervenção militar norte-americana? Parece que a luta pela liberdade também encontra seu campo de batalha entre os periódicos e discursos diversos.
Outro aspecto criticado no filme é a estética da violência. Os diversos filtros sobre manobras militares, cromaquis que desenham muralhas de corpos empilhados, granulações variadas em cabeças mutiladas e sangue espirrado em slow motion parecem maquear o horror da guerra total. Outras produções cinematográficas já confessaram certa atração pela violência até mais explícita que em 300, como em Sin City, Irreversível, Kill Bill, etc. As manobras da falange e as coreografias de cenas de luta, em particular da dupla de espartanos contra uma horda de persas, despertam um misto de encantamento e espanto perante tanta atrocidade. Com certeza, não havia convenções de Genebra na época das Guerras Medas; mas havia certo respeito no que se refere a certos procedimentos diplomáticos. Os espartanos, aguerridos que eram, tomaram como insulto o pedido de terra e água pelos emissários de Xerxes e lançaram-nos num poço. Heródoto complementa o que o filme não mostrou: após o incidente, Esparta não conseguia obter presságios favoráveis e resolveu enviar dois cidadãos para serem mortos pelos persas, na tentativa de purificar seus atos. Um sátrapa persa indaga aos dois gregos que vieram para este sacrifício suicida, o motivo da recusa da Grécia em se aliar à Pérsia. Os espartanos respondem ao sátrapa que ele conhecia a sujeição, mas não experimentou a liberdade, desconhecendo saber se ela é doce ou não; e que se a tivesse experimentado, não os aconselharia a lutar por ela apenas com lanças, mas até com machados.
Ésquilo, na tragédia Os Persas, dá voz ao lamento do fantasma de Dario, ao saber que seu filho teve a audácia de invadir o solo grego: "as libações de sangue provocado pelas lanças dórias hão de correr em jorros no chão de Platéia! E os montes de cadáveres, numa linguagem silenciosa, até a geração terceira dirão às criaturas dos tempos por vir que nenhum dos mortais deve ter pensamentos superiores à fragilidade humana". A luta pela liberdade exigiu o que há de mais contraditório entre os gregos. "Com certeza, à medida que os hoplitas gregos chocavam-se impetuosamente contra suas linhas, os persas devem ter finalmente compreendido que aqueles homens cultivavam não apenas o deus Apolo, mas também o selvagem e irracional Dioniso", comenta V. Hanson, citado por John Keegan em Uma História da Guerra. Podemos encontrar no filme e nas outras fontes um objetivo claro para este sacrifício em massa em torno do ideal de liberdade. A desmedida humana, a híbris, como os gregos dizem, parece não se contentar com a conquista do objetivo e a liberdade torna-se um ideal cada vez mais difícil de ser compreendido nas justificativas das guerras posteriores. Afinal, dificilmente um povo exerce sua liberdade sob leis marciais ou políticas de vigilância pós-11 de setembro implementadas em nome da segurança nacional. E piora quando a liberdade revela-se ilusória numa guerra deflagrada por motivos que já não se identificam em meio a fumaças de argumentações nebulosas e de explosões de morteiros.

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3.4.07

Badulaques

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13.3.07

Devaneio


- Sonhos e esperanças levantei às alturas enquanto o céu abria-se infinito.
- Mas não esqueça de olhar para o chão às vezes...

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